DeColônia Santo Antônio
Quando o bairro só aparece no mapa e nas manchetes
Se você pesquisar "Colônia Santo Antônio" em qualquer buscador, o resultado quase sempre é o mesmo: dados geográficos, extensão territorial e, quando muito, notícias sobre crimes ou falta de infraestrutura. O bairro da zona norte de Manaus existe nos mapas – mas quase nunca pela sua história, sua cultura ou sua gente.
Foi diante dessa invisibilidade que nasceu o DeColônia Santo Antônio
Idealizado por Marcelo Frazão e realizado pelo Coletivo Pererê, o DeColônia é muito mais do que um evento. É uma ação permanente de ocupação cultural, memória e transformação que acontece nas ruas, nas quadras, nas margens do igarapé e nos becos da Colônia Santo Antônio. Cada edição é um ato político e poético: colocar o bairro no mapa por aquilo que ele tem de mais potente – sua cultura negra e afro-amazônica, seu folclore, seu esporte, sua luta por justiça climática e, acima de tudo, sua gente.
O que é o DeColônia Santo Antônio
O DeColônia Santo Antônio é um movimento de reexistência. Ele não nega as dificuldades do território – a falta de pavimentação, o saneamento básico ausente, o igarapé que transborda em dias de chuva, o acúmulo de lixo, a presença do tráfico. Pelo contrário: parte delas para construir respostas coletivas.
O projeto ocupa espaços públicos e transforma lugares estigmatizados em territórios de cuidado, brincadeira, aprendizado e sonho. A rua de terra vira palco de batalha de rima. A beira do igarapé vira sala de aula para refletir sobre justiça climática. A quadra sem uso vira campo de futebol. O beco esquecido vira galeria de grafite.
Cada edição tem um tema, um formato e uma linguagem diferente. Mas todas compartilham a mesma espinha dorsal: a valorização da cultura periférica, o protagonismo de crianças e jovens, o resgate da memória local e a urgência de pautar a justiça ambiental na Amazônia urbana.
Por que o nome "DeColônia"?
O nome carrega uma dupla provocação.
"DeColônia" joga com a palavra "descolônia" – um chamado a descolonizar o imaginário sobre o bairro. A Colônia Santo Antônio, como tantas periferias brasileiras, foi historicamente tratada como território de ausência: ausência de Estado, ausência de serviços, ausência de representação positiva. O DeColônia vem para descolonizar essa narrativa.
Ao mesmo tempo, "DeColônia" mantém a raiz do nome original do bairro. Não é uma negação, mas uma reescrita. É o mesmo lugar – mas contado por quem vive ali, com suas dores, seus sonhos e sua criatividade.
O papel do Coletivo Pererê e de Marcelo Frazão
O Coletivo Pererê atua como uma plataforma de projetos culturais e comunitários em Manaus. Cada integrante do coletivo tem seu próprio projeto – e o DeColônia Santo Antônio é o projeto de Marcelo Frazão, seu idealizador e coordenador geral.
Marcelo vive o território, conhece suas ruas, suas famílias, suas dificuldades e suas belezas. Foi dessa escuta e desse pertencimento que nasceu a vontade de responder à pergunta: "por que, quando pesquisam meu bairro, só encontram violência?"
A resposta veio em forma de ação: ocupar a rua com cultura, esporte, memória, livro, pipa, bola, tinta e afeto.
O DeColônia Santo Antônio é uma ação do Coletivo Pererê no bairro Colônia Santo Antônio, zona norte de Manaus, que ocupa a rua, a quadra e os espaços da comunidade com arte, cultura popular, esporte e memória do território. O projeto é atravessado pela valorização da cultura negra e afro-amazônica, presente nas oficinas de slam, batalha de rima, máscaras folclóricas, grafite, contação de histórias, cineclube, entregas de kits escolares e ações de educação ambiental, além de atividades esportivas que mobilizam crianças e adolescentes.
Função do projeto: três pilares que sustentam a ação
1. Cartografia simbólica – colocar o bairro no mapa
O DeColônia existe para mostrar que a Colônia Santo Antônio não é só o que falta. É também o que pulsa. Cada edição fixa um novo ponto no mapa cultural, político e afetivo de Manaus. O projeto diz, em alto e bom som: "aqui também se faz arte, aqui se brinca, aqui se debate, aqui se joga futebol, aqui se escreve outra história".
2. Resgate de memória e identidade – a história que ninguém contou
O projeto reúne, valoriza e faz circular as histórias vivas do território: as lendas amazônicas (Saci, Matinta Pererê, Curupira, Caipora), as tradições folclóricas, a memória dos moradores antigos, a relação da comunidade com o igarapé, a cultura negra periférica. Mais do que entretenimento, é um trabalho de garantia de direito à memória – especialmente para crianças e adolescentes que nunca viram seu bairro ser celebrado.
3. Ocupação transformadora – do espaço degradado ao espaço de cuidado
Rua sem asfalto, igarapé poluído, área alagadiça, quadra abandonada. O DeColônia entra nesses lugares e os ressignifica. Com lonas, tintas, caixas de som, pipas, máscaras, livros e bolas de futebol, o projeto devolve à comunidade a sensação de pertencimento e segurança. Mostra que o território pode ser ocupado de forma alegre, criativa e segura – mesmo diante da ausência do poder público.
Objetivos do DeColônia Santo Antônio
Objetivo geral
Reescrever a narrativa do bairro Colônia Santo Antônio, reposicionando-o como um território vivo de cultura, resistência negra, esporte, educação e justiça climática – dentro e fora da internet.
Objetivos específicos (o que o projeto faz, na prática)
- Resgatar e circular a história do bairro: cineclube, contação de histórias, oficinas de máscaras folclóricas, grafite com personagens locais, Clube do Livro e rodas de memória.
- Valorizar a cultura negra e afro-amazônica: batalhas de rima, slam, rap, forró, DJs da periferia, conectando folclore brasileiro à luta contra o racismo ambiental.
- Oferecer lazer, brincadeira e afeto como direito: pula-pula, brincadeiras tradicionais (corrida de saco, amarelinha), batalha de pipa, distribuição de brinquedos, campeonato de futebol.
- Enfrentar a crise climática a partir da periferia: oficinas como "O igarapé que temos x O igarapé que sonhamos", ações de lamb-lamb temáticas, debates sobre racismo ambiental e justiça climática.
- Garantir acesso a itens básicos para cidadania: distribuição de kits escolares (volta às aulas), kits de arte, materiais para oficinas, doação de livros.
- Fomentar a leitura e a formação crítica: lançamento e manutenção do Clube do Livro, com doação de obras literárias para crianças, jovens e adultos.
- Promover o esporte como ferramenta de transformação social: campeonato de futebol e outras atividades esportivas que atraem diferentes faixas etárias, fortalecem vínculos e ocupam o território de forma saudável.
- Ser um projeto transversal e contínuo: realização de edições temáticas ao longo do ano – Dia das Crianças, Consciência Negra, Natal, Volta às Aulas, Campeonato de Futebol – garantindo presença constante no território.
Resultados concretos (até a 5ª edição)
- Mais de 150 pessoas impactadas diretamente nas edições presenciais (estimativa acumulada entre crianças, adolescentes, famílias e artistas).
- Distribuição de dezenas de kits escolares, kits de arte, brinquedos e livros.
- Realização de oficinas de máscaras, pipa, grafite, hip-hop, desenho, colagem e educação ambiental.
- Criação de espaços de expressão para jovens: batalha de rima, slam, pocket shows, cine debate.
- Inserção do debate sobre racismo ambiental e justiça climática no cotidiano do bairro.
- Fortalecimento do vínculo comunitário e valorização da memória local.
- Reconhecimento externo com o apoio da Fundação Abrinq na 5ª edição.
- Colocação do bairro no mapa cultural de Manaus – ainda que em construção, o DeColônia já é referência para quem quer saber o que acontece de potente na Colônia Santo Antônio.
O que vem por aí
O DeColônia Santo Antônio não é um projeto com data para acabar. Ele é um movimento contínuo. As próximas edições já estão sendo planejadas, com novos temas, novas parcerias e novas linguagens. A ideia é que, a cada ano, o projeto ganhe mais força, mais participantes e mais visibilidade – dentro e fora do bairro.
O objetivo final é simples e profundo: que qualquer pessoa, ao pesquisar "Colônia Santo Antônio" daqui para frente, encontre não só dados geográficos e notícias de crimes, mas também encontre o DeColônia. Encontre arte. Encontre memória. Encontre futebol. Encontre livros. Encontre luta. Encontre vida.
Como apoiar
O DeColônia Santo Antônio é um projeto autônomo, realizado com recursos próprios, parcerias pontuais e muito trabalho voluntário do Coletivo Pererê e da comunidade. Toda ajuda é bem-vinda:
- Doação de materiais (papel, tinta, pincéis, livros, brinquedos, bolas, kits escolares).
- Parcerias institucionais (empresas, fundações, editais públicos e privados).
- Divulgação (compartilhar o projeto, convidar pessoas e instituições para conhecer o trabalho).
- Trabalho voluntário (oficineiros, fotógrafos, equipe de apoio).
Se você quer colocar o Colônia Santo Antônio no mapa pelo que ela tem de melhor, entre em contato com o Coletivo Pererê ou com Marcelo Frazão.
DeColônia Santo Antônio – Ocupar, lembrar, reexistir.
Porque todo território merece ser visto por sua potência, não apenas por sua dor.
Marcelo Frazão
Idealizador do projeto
Realidade do local
O projeto é desenvolvido na Rua Pinheiro e arredores, no bairro Colônia Santo Antônio, uma área da zona norte de Manaus marcada pela falta de pavimentação, ausência de saneamento básico, presença do tráfico de drogas, acúmulo de lixo em espaços públicos e poluição do igarapé que corta a comunidade. Esses fatores impactam diretamente a qualidade de vida dos moradores e evidenciam a vulnerabilidade social do território.
Desafios climáticos
Uma das principais marcas da região é o transbordamento do igarapé em dias de chuva forte, que alaga as casas próximas e agrava as dificuldades de moradia e segurança. A situação reforça a urgência de pautar a justiça climática na periferia e de construir, com a comunidade, alternativas de cuidado com o território.
Impactos do projeto
O DeColônia Santo Antônio fortalece vínculos comunitários, valoriza a memória local e incentiva práticas de justiça climática a partir da realidade da comunidade. Por meio da arte, da cultura e do esporte, o projeto transforma o território em espaço de cuidado, resistência e imaginação coletiva, promovendo o protagonismo de crianças, adolescentes e suas famílias.
Marcelo Frazão
Idealizador do projeto
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